Escrevendo para as paredes


Foto:  Sandro Alves (1995)

Bom dia minha senhora,

és a retesa em pessoa. Se não tivesses estatura, não estivesses disposta na vertical, sobre a senhora uma bolinha de metal poderia rolar sem transtornos, sem desvios, pois és a retidão maior. Diante de sua brancura eu posso ver o que além de mim mesmo? Posso me irritar, ficar apaixonado ou o que quer que seja, serás sempre um quase espelho, parado em parelha com os meus olhos e orelhas, o Senhora Parede Branca.

D’outra feita pensei ter recibido da senhora uma solicitação de maior volume de recados. Logo depois viestes caçoar da própria disposição minha de escrevê–los, aquela que a Senhora mesma requisitara. Deve entender que por dentro e por trás de tamanha alva criatua, com sua retidão e verticalidade incontestáveis, estou eu e meus anseios. Devo entender que minha susceptibilidade evocou projeções e identificações aos borbulhões a Senhora, faceira, permaneceu impassiva. Oras, que pode esperar um miserável ser de carne e osso diante de uma magnânima parede branca de nuvens transcendências?

—– pausa —-

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