A morte por perto hoje no shopping Boulevard

Foto: Sandro Alves

O texto abaixo foi copiado direto de uma postagem + um comentário feitos agora há pouco no Facebook:

Uma senhora clamava pela morte, sentia muita dor. Ouvi atrás de mim no banco do Shopping, eram 4 horas da tarde. Eu demorei para conseguir agir, segurar a mão dela e conversar. No começo achei que era fingimento. Os funcionários do shopping ,exceto um, ficavam olhando de longe com medo. Outras pessoas? Ninguém. A morte mete medo, a dor mete medo, é o medo virtual maior.

Eu comecei a convencê-la de que era uma crise renal e contar que eu já tinha passado por aquilo. Uma vitrine separa a pessoa do mundo nessa hora, solidão e medo. Ela se acalmou mas a dor era grande. Um pouco antes do filho dela chegar descobri que era apendicite. Pois uma vez pensei estar com apendicite e o médico me explicou os sintomas. Eu perguntei a ela se a dor começou ali, onde doia, no rumo do rim. Ela apontou o centro do abdomem. A dor da apendicite caminha, vai do centro superior até o canto inferior direito do abdomem. Então eu tive que falar para ela e explicar que era importante ela dizer ao médico onde tinha começado a dor. Falei isso duas vezes ao filho dela que estava em uma espécie de transe. Da segunda vez ele me agradeceu nervoso e foi com ela na cadeira de rodas para o carro. Espero que essa senhora esteja viva, apendicite não deve matar muito hoje em dia. Na mesma hora, me contou um funcionário do cinema do shopping, uma criança de 12 anos passava mal dentro do cinema. Não cheguei a sentir muito medo, mas perguntei logo se era homem ou mulher. Eu disse graças a Deus quando ele respondeu que era uma menina. O que eu disse? Bom, meu filho estava assistindo “Avatar” nessa hora. Ontem Joel Macedo falou uma coisa que já ouvi por escrito de Cláudio Cesar Dias Baptista: eu sou Deus. Só que o Joel é Deus de uma forma que eu sabia que somos pela educaçao Católica: o Espírito Santo está em nós. Acabou agora há pouco um episódio de Cold Case. A música final de hoje perguntava sobre qual seria o nome de Deus, depois perguntava “e se ele for um desastrado como um de nós”. Eu disse graças a Deus porque era uma menina que passava mal, desastrado, eu sei que sou. Estou sem sono e precisando ver filmes na TV. “Imagética Ilha”. VHS ou DVD me deprimem; não tem ninguém do lado de lá rodando os filmes, não está no ar; eu posso parar o tempo com um controle remoto, isso me desanima e não gosto de ver filmes sozinho em DVD. Nem sempre, mas muitas vezes. Quando eu era pequeno meu pai colocava um radinho de pilha em baixo do travesseiro para eu dormir com o meu medo, o meu Deus e a sensação de companhia que a tecnologia propicia: “Sonifera ilha … num radinho, de pilha …” Os olhos dela nos meus e eu mantive a calma e contei um pouco do que senti quando pensei que ia morrer durante a crise de apendicite. Ela perguntava: é meu filho? Meu filho! Berrava: Me arranja um médico pelo amor de Deus! Parei de ver TV. Só filme com muito sangue e tragédia. Que fome de desespero tem a humanidade. Flusser explica que Heideger e Sartre sacaram a vacuidade da existência, mas que só Cammus entendeu o absurdo dessa vacuidade. Eu quero e vou fazendo como posso um mundo com menos dor e medo para cada um de nós. Nessa história você poderia muito bem ser um dos sentidos.

S.alves!

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